A história de como nos conhecemos, a decisão de viajarmos juntos, a viagem, a decisão de casarmos, o casamento, a vida a dois, desafios no novo país, saudades de casa, da família, amigos, o começar de novo mas com a certeza de que fez a escolha certa.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Despedida de solteira, de solteiro...é tradição !?!

Num dia qualquer da semana. meu marido lindo me pergunta como não quer nada o que eu acharia caso o melhor amigo e também padrinho de casamento organizasse uma festa de despedida de solteiro para ele.

Lógico que no mesmo instante respondi que infelizmente ele não tinha mais este direito já que havíamos casado no último Fevereiro e o então "best man" perdeu a oportunidade de realizar o evento.

Não perdi a chance de lembra-lo que eu também não tive despedida de solteira, chá de cozinha, lingerie ou qualquer outro tipo de comemoração que se tem em virtude de estar se casando.

Então no domingo da mesma qualquer semana, fui caminhar com meu irmão e este também veio com a mesma pergunta só que muito mais direto, disse, o tal "best man" ou padrinho em português está  planejando uma despedida de solteiro para Magnus mas ele quer saber se você concorda, sim, porque não queremos organizar nada se você não estiver de acordo.

Preste atenção no pedido! como é que eu, recém chegada aqui no país, querendo muito fazer parte da comunidade, amigos e família do meu marido poderia responder qualquer coisa se não um simples, tudo bem com o meu melhor sorriso AMARELO.

Eu sempre costumo dizer que existem perguntas que não devem ser feitas e sim cabe ao ser humano que teve a infeliz idéia de dize-la em voz alta simplesmente não faze-la.

A minha resposta foi que pelo que eu então sabia, Magnus, meu MARIDO, já estava casado desde o inicio do ano e que ele tinha perdido o direito a festa de despedida de solteiro mas que não seria eu que diria para dez amigos e mais meu irmão que eles não poderiam fazer a tal festa.

Lógico que meu irmão argumentou (desnecessariamente) que meu marido não tinha tido a tal festa de despedida, que era tradição, que todos que se casavam ganhavam a tal festa do "best man" blábláblá...

Passou-se a semana inteira sem que eu escutasse mais sobre o assunto mas então na sexta-feira, no tradicional jantar italiano na casa dos sogros, enquanto meu marido se retirou por alguns minutos da sala de TV, ouvi em palavras tão rápidas algo que dizia que amanhã , sábado, os amigos e irmão buscariam meu marido logo cedo para a despedida de solteiro e que eu não precisa me preocupar não pois meus queridos pais noruegueses também me levariam para passear... acho que era a minha despedida de solteira!!!! junto com meus pais noruegueses.

Dez da manhã, ouço baterem na porta de entrada, com muito barulho e vozes, eram os rapazes, os amigos "sequestradores de meu marido" e assim ele foi para sua despedida de solteiro.

Apenas me acordou com um beijo de despedida dizendo que todos amigos estavam na porta e levariam-o para a despedida de solteiro e que nada ele poderia fazer.

Chorei, chorei porque sou ciumenta, chorei porque sou dramática, chorei porque me senti injustiçada, chorei e chorei.

Ouvi a porta se abrindo novamente, era meu irmão norueguês, esqueceu de me avisar que meus pais noruegueses passariam as onze horas para me levarem ao passeio preparado para mim.

Tomei um banho e me arrumei. O dia estava lindo, ensolarado mas eu de mal humor, me vesti com um jeans e camiseta como se estivesse um tempo friozinho.

Tomei meu café ainda meio chorando, resmungando e planejando talvez dizer aos meus pais que não queria ir a lugar algum, que não precisavam se preocuparem em me levar a algum lugar porque meu marido tinha sido levado pelos amigos.

Os pais chegaram, super animados e felizes, iríamos passar o fim de semana juntos...O FIM DE SEMANA!!!! como assim, não fui informada.

Meu pai  norueguês disse então, não tem problema, esperamos, volte e apanhe sua escova de dente (ele é dentista então escova de dente já é o necessário e suficiente ....risos) .

Voltei, arrumei uma mochila com uma troca de roupa e fui. Não consegui permanecer de mal humor por muito tempo afinal tinha muito mais motivos de ficar feliz do que embirrada.

O dia estava lindo, tínhamos sol, meus pais noruegueses haviam planejado um fim de semana super agradável em uma cidade turística chamada Røros.



O roteiro incluía almoço em um casal de amigos do meu pai, também dentistas, fazer algumas comprinhas (esta cidade é famosa por ter a melhor carne e produtos derivados de rena, sim, rena, daquelas do papai Noel), um mini-tour por toda a cidade e jantar em um restaurante que é muito recomendado e favorito da maioria dos turistas devido ao cardápio com especialidades norueguesas.

No domingo, após tomarmos o delicioso café da manhã no hotel que ficamos hospedados, fizemos o check-out, visitamos um dos museus da cidade, que conta a história da cidade que estabeleceu-se na região aonde encontrava-se uma mina de cobre, principal atividade da cidade e dos habitantes desta e região.

Seguimos caminho de volta pra casa, fizemos uma curta parada na cidade de Tydal, para visitarmos o irmão do meu pai norueguês que ali mora com sua família.

Lógico que tivemos direito ao um lanchinho com tradicionais pratos noruegueses. Bolo de coco queimado (parece nossa queixadinha), um tipo de panqueca bem fininha recheada com manteiga (minha favorita) e pãozinhos com frios feito de carne de rena e porco (eles produzem por aqui esta iguaria ), chá,café e cidra.






Não sei se já comentei mas bebe-se muita cidra por aqui. Bebida a base de maçãs, pode ser sem álcool ou com álcool, prefiro a segunda. O gosto é exactamente igual daquela champagne baratinha que temos no Brasil, com uma maçãzinha no rótulo, chamada Cidra.

Fizemos uma breve parada no ponto mais alto da viagem, acho que 900 metros acima do nível do mar. Ficou frio! As montanhas em volta cheias neve. De um lado a Noruega e do outro, a Suécia.



Este fim de semana foi muito feliz, conversamos muito, meus pais noruegueses me contaram várias histórias e me ensinaram muitas coisas sobre a Noruega e os noruegueses, "causos" de família.
Nos divertimos, passeamos e  foi tudo de bom.

Essa versão de despedida de solteira com os sogros não é tão conhecida mas eu recomendo.

E como eu costumo dizer, enquanto isso na "sala de justiça",  meu marido lindo e meu cunhado, desmaiados no sofá após 24 horas sem dormir.

A festa deles como foi? Não faço a menor idéia e nem quero saber. Ele até me contou algumas coisas mas ABAFA O CASO!

Feliz Aniversário, Felicidades aos recém-casados

Sábado teve festa. Festa de aniversário, festa de felicidades ao novo casal, festa de conhecer a mais nova integrante da família norueguesa, festa de retorno do filho ao lar, festa de apresentar a nora, festa de reunir a família, festa de matar saudades de gente que não se encontra muito, festa, simplesmente festa, para celebrar, conversar, comer e beber, dar risada, beijo, abraço e se divertir.

O dia, 10 de Julho, é aniversário do pai norueguês e desde que nos encontramos pela primeira vez, ainda lá em Kuala Lumpur na Malásia, tanto meu pai como minha mãe norueguesa tiveram a idéia de celebrar o aniversário dele e a nossa chegada/retorno a Noruega.

A idéia surgiu porque seria uma ótima oportunidade de todos da família norueguesa me conhecerem, reencontrar com meu marido lindo e celebrar o aniversário do meu pai norueguês, tudo numa grande festa, sem ter nome de festa de aniversário ou de casamento.

Aqui na Noruega, tanto a família do pai ou da mãe, todos moram não muito perto, na sua maioria em cidades vizinhas que vão de curtas distâncias de apenas meia hora ou não tão perto, por vezes, até quatro horas.

O verão a pouco se iniciou, atrasado, mas finalmente chegou e para nossa festança nada melhor que um CHURRASCO, isso mesmo, churrasco, o povo norueguês também adora churrasco e com a variedade de carnes que se tem por aqui, nada melhor.

O pai norueguês estava tão feliz com a ideia que providenciou até a compra de uma nova churrasqueira para o evento.

A mãe, por sua vez, dedicada e caprichosa, providenciou mesas, cadeiras, flores, velas e todos os por menores ou seriam, maiores, para uma bela recepção.

Minha mãe norueguesa, merece um parágrafo ou muito mais que dois, sim, ela é muito caprichosa, tudo que ela faz é sempre muito bem organizado, pensado e claro que o resultado é o melhor já que ela faz tudo com muito gosto.

Não postarei aqui uma foto de sua decoração pois gostaria que usassem a imaginação e criassem a  imagem em sua mente.

A casa por si só já tem um estilo aconchegante, do campo, bem norueguesa, com flores na janela, toda em madeira.

Na grande sala de estar, piso emadeirado, em uma das extremidades a lareira, enquanto na outra, o jardim de inverno.

Dispôs as pequenas mesas de quatro lugares em madeira clara com suas cadeiras de estofados macios e cor de vinho. Na base, caminhos confeccionados com um tecido que imita o cetim com a cor combinando com os estofados e raios coloridos que lembram o céu das noites claras da Noruega.
Candelabros com velas na cor laranja harmonizavam com os mini-vasos de kalanchoe, também conhecida como flor da fortuna, na mesma cor.
Copos, talheres e pratos, tudo de muito bom gosto e qualidade.

E as delícias, as melhores. Tivemos para acompanhar o prato principal, batatas cozidas, maionese que aqui é feita com maçãs, uvas, repolho, melão e a maionese é claro. Salada de folhas, tomates cerejas e pepinos frescos, que a própria mãe norueguesa cultiva em seu jardim também fizeram parte da grande mesa.

Para sobremesa, preparou dois tradicionais bolos noruegueses.
Primeiro, Kransekake, literalmente bolo de aros, com amêndoas, desta vez não somente com bandeira da Noruega ;-)


 
O delicioso Kvæfjordkake, bolo do fiorde, camadas de creme de vanila com chantily e suspiro é realmente de se causar suspiros de tão bom.

Nossa "mormor", vovó em norueguês trouxe um Kransekake e uma das tias, um típico bolo de aniversário, bolo branco com recheio de geléia de morangos e creme, coberto com chantily e frutas. Tinha banana, kiwi, carambola, mirtilo (blueberry) e morangos.

Também foram servidos morangos frescos para quem ainda tinha forças em dizer que gostaria de tentar manter o peso.

As bebidas, ao gosto do freguês, tínhamos, água, cidra, cerveja, vinho, conhaque, licores e café.

A festa foi muito animada e durou até tarde, era quase meia noite quando despediamo-nos dos últimos convidados.

Fiquei muito feliz com esta festa. Tive oportunidade de conhecer os tios e tias do meu marido que agora me tem também como sobrinha. Pessoas queridas que se preocuparam inclusive em nos presentear pelo casamento.

Para nossa nova casa, ganhamos, garrafa de café, talheres, faca, licor e dinheiro, o que é muito legal para assim podermos escolher o que mais nos agradar.



Obrigada família norueguesa por proporcionar mais um dia muito feliz aqui no meu novo lar.

Família do Brasil, como gostaria que vocês estivessem aqui, festa grande, bastante gente, me faz lembrar ainda mais quanta falta vocês me fazem.

Amo todos vocês.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Ouvindo Sininhos



Esta manhã acordei com o badalar de sininhos em meus ouvidos. Quem eram? As ovelhinhas que aqui caminham na nossa montanha, logo atrás do prédio em que moramos, com seus colares e no pingente um sino que tem como função ajudar os donos quando no período de recolhe-las para então proteje-las do inverno.

Agora no verão é muito comum elas circularem por toda a área e então saborearem a grama verde e fresca e as flores coloridas e perfumadas.





As favoritas são as flores do campo amarelinhas, não experiementei mas devem ser deliciosas já que a aparência é bonita e também são as que mais tem por toda a parte.

Quando escutei os sinos me lembrei de uma música que adoro muito da cantora Marisa Monte, chama-se Magamalabares.

Estou colocando a letra e um link do vídeo clipe para quem não conhece ouvir pela primeira vez e para quem gosta relembrar.

A foto alimentando a ovelhinha é na Nova Zelândia, parte da minha viagem de volta ao mundo, dezembro/2009.

Magamalabares
Acqua Mare
O barquinho oxáiê
Quem esteve aqui
viu barquinho de gazeta
Ancorar no mistério
Notas musicais
Dentre bolas de sabão
que de nossas serenatas vieram
Flores que ofertamos
e que nunca morrerão
em vasos e jarros se bronzeiam
Os anjos de onde vem sua vida bem-vinda
Os livros não são sinceros
Quem tem Deus como império
No mundo não está sozinho
Ouvindo sininhos

http://www.vagalume.com.br/marisa-monte/videos/magamalabares.html

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Contagem regressiva...3 semanas, 20 dias, 480 horas...Mundoooooooo!

Foi esse o prazo, entre a decisão de fazer uma viagem de volta ao mundo, de me unir ao meu agora marido em sua viagem de volta ao mundo e embarcar no primeiro dos 33 vôos até chegar aqui na Noruega.

Louca! Maluca! foram as duas palavras que mais ouvi sobre a minha pessoa no período de 13/outubro a 01/novembro/2009.

Ouvi da minha mãe, do meu pai, meus irmãos, irmãs, amigos, amigas, avó, tios, tias, primos, primas, colegas de trabalho, ex-namorado, de todos, sem exceção, de alguns explicitamente de outros nem tanto.
Acredito que até meus pequenos, sobrinhos e sobrinhas, falariam se entendessem a situação.

Acho interessante como existem pessoas que precisam de tanto tempo para tomar decisões em suas vidas enquanto outras as tomam tão facilmente e rapidamente.

Eu sempre fui assim, neste momento, lembro de um "post" de uma amiga que também tem um blog em que conta alguns contos, seu nome é Vera, deve ser do signo (risos).

Sou ariana, dizem que não penso antes de fazer, confesso aqui que pensar eu penso sim mas que a probabilidade de eu não realizar é remota, o lema da ariana aqui é, posso passar algumas noites sem dormir por ter literalmente "quebrado a cara" mas nunca dormirei pensando como seria a minha "cara quebrada"  se tivesse experiementado.

Decidi e organizei, tudo que podia e devia. Me desliguei do meu trabalho, comprei minha passagem, vendi meu carro, deixei uma pessoa responsável em meu apartamento, comprei uma mochila, fiz e desfiz mais de uma vez essa mesma mochila, empacotei e guardei minhas coisas pessoais, fui atrás de documentos que precisava deixar no Brasil, levar para viagem e até enviar para a Noruega, cheguei até mesmo nestes dias ir e voltar ao Rio de Janeiro atrás de documentos.

Tive festa, café, almoço, jantar de despedida. Ficaram pessoas queridas sem um "até breve" ao vivo e a cores.
Foram risadas, lágrimas, beijos, abraços, desejos de boa sorte e felicidades além de boa viagem e fotos, muitas fotos.

Consegui tempo para atualizar praticamente todos os endereços de quase todas as pessoas que eu gostaria de enviar cartões postais ou pelo menos a maioria delas.

Arrumei na agenda a visita caprichada ao salão de beleza para uma depilação, podóloga e manicure. Afinal eu não sabia quando teria este "luxo" de alguém fazer isso por mim novamente.
Fiz a última visita do ano no meu cabelereiro preferido para aumentar os raios de sol em meus cabelos.
E não por último, passei na dentista pra não ter problemas no sorriso das minhas fotos, afinal, seria um ano de viagem.

Comprei itens de viagem que eu nem sabia da existência, como por exemplo, camisa com proteção solar.
Fui a lojas de esporte, para esporte, não por esporte mas pra ter tudo que uma "mochileira  ou backpacker" tem que ter para não passar por nenhum imprevisto em uma viagem de volta ao mundo.

Organizei como funcionaria a parte financeira, peguei meu passaporte, minha passagem, minha mochila, meu namorado novo e fui, corri para o mundo e preciso dizer, tinha passado já uma semana ou mais até que eu tivesse então dado conta que eu ficaria, muitos e muitos dias, londe da minha casa, da minha família, amigos e tudo mais que eu sempre tive por perto.

E então começou, apenas eu e meu Bacalhau, nossa aventura, de viajar pelo mundo, juntos.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Subindo montanhas, visitando rios e igrejas, andando por entre fazendas e fazendo amizade com ovelhas




Andava meio cansada de não sair de casa, afinal, para quem vem da cidade, sair de casa significa, ver prédios comerciais altíssimos, tráfego de gente, de carros, ouvir som de âmbulancia, polícia, ir tomar um café num lugar meio charmoso, almoçar ou jantar fora, encontrar os amigos para uma cervejinha e até fazer compras.

Aqui na cidade da minha família norueguesa não tem nada disso, ao invés, nos temos montanhas, ar puro, rios e lagos, muitas árvores, flores, somente casas, nada de tráfego de gente e carros, é raríssimo encontrar com pessoas e ver carros pelas ruas, polícia e âmbulancia até hoje nunca vi nem escutei mas tem, som dos pássaros, algumas borboletas ensaiando voos que mais parecem algum tipo de dança, não há se quer um barzinho, um café super aconchegante ou mesmo um restaurante.

Dias desses eu estava em crise existencial, não conseguia ficar nem em pé, nem sentada, cansada do computador que é meu amigão de cadeira, então resolvi, vou sair, vou andar, sei lá, apenas preciso sair.

Meu irmão norueguês falou então, vou andar pelo mato, subir a montanha aqui de trás do prédio, sim nós temos uma montanha logo atrás do prédio que moramos.

Bom, topei na hora, afinal, tenho certeza que minha caminhada original não iria até o topo da montanha não, ia andar pertinho de casa mesmo, para não se perder.

É engraçado isso, todos ficam super preocupados em eu me perder por não estar acostumada a sair por aqui. Primeiro meu marido lindo que está literalmente "morrendo" no sofá,  "tadinho", ele estava meio "doentinho", acho que inicio de resfriado, daqueles que você não quer levantar nem pra comer.
Ele, você precisa andar muito, perguntou, vou com você, "cof", cof" ....affff! na hora eu disse , prometo, só no bairro, não precisa me acompanhar, não vou me perder.

No final, o irmão norueguês foi quem passeou comigo, ou melhor, eu quem fui com ele.

Eu, meu irmão e minhas botinhas "Timberland", aquelas que prometi que aterrizando na Noruega não usaria por um bom tempo... novos tempos, novo país, novos sapatos, nada de sandálias de salto, que eu amo.

A trilha começa logo que saímos do prédio, uns 100 metros eu acho, menos de 50 metros, avistei, a MEGA subida que teríamos, respirei fundo e segui, nossa essa caminhada mostrou como se perde a forma rápido, eu estava praticamente sem fôlego, com língua de fora mesmo.

Continuamos e já podíamos apreciar a passagem, foi praticamente uma aula de botânica e pouquinho da vida animal da região.



Meu irmão me mostrou, pé de tudo quanto é fruta vermelha, de morango, morango selvagem (esse cresce uma vez em um lugar e depois nunca mais, vai mudando, pulando, de galho em galho) passando por framboesa, amora e muito mais.

Mostrou algumas flores. Contou os tipos de animais que podemos encontrar por esta região. Lembrou que no último final de outono ajudou uma amiga que mora em uma fazenda vizinha a recolher o rebanho de ovelhas pois o inverno estava chegando e elas não poderiam mais ficar andando montanha abaixo e acima para não morrerem de frio.

Fizemos uma parada, tomamos água, comemos umas balinhas. Meu irmão adora doce, bala então, tem que esconder dele.

Quando notei estávamos quase no topo, e já tínhamos uma visão completa da cidade de Klaebu, aonde mora minha família norueguesa e estamos morando, eu e meu marido lindo,  até encontrarmos uma casa na cidade de Trondheim, que eu e meu marido lindo, preferimos por muitos motivos e principalmente por ser maior.

O dia estava super bonito e ensolarado com o céu bem azul pois tivemos uma semana de bastante chuva e agora ela tinha dado uma trégua.

Até comentei com meu irmão que minhas botas estavam felizes de terem saído do armário e ficarem sujinhas de barro, lama e grama.

O dia estava tão bom que eu estava vestida de shorts e camiseta, na Noruega, prova que é possível usar roupas destes modelitos.

Foi a primeira vez que saímos somente eu e meu irmão e foi muito legal porque conversamos bastante e eu pelo menos posso dizer que ele é um cara legal de verdade, sabe muitas coisas e é muito querido.

Finalmente atingimos o topo da montanha, celebramos com algumas fotos, água e balas é claro. Foram 6KM de caminhada.

Ficamos mais algum tempo admirando a paisagem, conversando e então descemos para tomar um banho e jantar na casa dos meus sogros.












Me senti muito melhor, estava precisando de ar puro, de andar e andar, pensar na vida, ouvir a natureza, ver as belezas que ela proporciona aos nossos olhos, coração e mente.

Fiquei tão animada que me propus a andar mais pela região e conhecer o que ela tem a oferecer pra mim e todos os moradores.

Na mesma semana, meu marido já melhor, andamos contra a montanha, chegamos ao rio que passa aqui pela cidade aonde muitas pessoas pescam, atravessamos por entre algumas fazendas, vi as ovelhinhas da amiga do meu irmão e visitei a igreja da cidade.

Estou gostando mais do meu país verdinho e sentindo menos falta da minha cidade de pedras.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

NOITES EM CLARO

Desde que cheguei aqui na Noruega a cada novo dia temos mais horas de claridade e menos de escuridão, para ser sincera, eu ainda não vi a noite aqui na Noruega e olha que na segunda-feira será um mês em solo norueguês.

Agora em julho por exemplo, oficialmente o sol nasce por volta das 3 da madrugada e o pôr-do-sol acontece por voltas das 23horas, na real, nós não temos noite mesmo, afinal é tão pouco tempo entre o nascer e o morrer do sol que não dá tempo de ficar escuro.

Há vantagens de ter luz do dia por 20 horas num mesmo dia:

1) temos mais energia para praticar esportes;
2) as árvores, plantas e flores ficam visivelmente felizes de receber tanta luz nesta época do ano fazendo que fiquem mais verdinhas, cresçam e tenham muitos frutos e flores.
3) podemos economizar na energia elétrica o que é bom para todo o mundo.
4) é mais fácil de manter o bronzeado com tanta luz do dia.
5) podemos usar aquele óculos de sol maravilhoso por mais horas no dia.
6) as pessoas ficam mais alegres e sorridentes afinal sol é vida!

Desvantagens tem também, por exemplo:

1) não consegui dormir 100% pois é muito difícil ter que dormir com a luz do dia, minha mente e corpo não se adequaram ainda.
2) perdemos a noção do horário e as vezes ficamos "acordados" até uma ou duas horas da madrugada porque o corpo não assimila que está no fim do dia e precisa relaxar
3) jantar com a luz do dia, esse pra mim é até engraçado, não consegui me organizar de verdade e fico com fome mais vezes no "dia-noite"... cuido para não ficar gordinha!
4) não se tem lua e nem estrelas para admirar mesmo estando em uma cidade sem poluição o que proporcionaria sem dúvida um espetáculo a parte.
5) as vezes você quer sair mais produzida, com uma roupinha que é feita para usar na noite e aí não tem jeito, não combina mesmo.

Bom, como tudo na vida, temos prós e contras dos longos dias que temos aqui no verão da Noruega assim como deverei notar quando chegar o inverno e a situação inverter para apenas quatro horas de luz do dia mas não vou me preocupar com isso agora.

Por enquanto é aproveitar para registrar as cores que o céu veste nesta época do ano que são simplesmente dignas de horas e mais horas de admiração!



Rosas Amarelas...

...indicam alegria, amizade e demonstram preocupação pela pessoa a quem se oferece!


Recebi estas rosas da minha sogra ou mãe norueguesa como gosto de chama-la.
Eu sempre gostei de ganhar flores. Me sinto super especial quando ganho.

Certa vez li que toda flor tem seu significado. Nem sempre que está presenteando diz o motivo explicitamente então nessa hora além da nossa imaginação o significado também pode ajudar.

Na maioria das vezes sabemos o por quê de estarmos recebendo e este pode ser desde votos de felicidades pelo aniversário, nascimento de uma criança, casamento, recuperação da saúde, noivado, saudade, flerte, desculpas, amizade e muitos outros.

Eu já conhecia o significado de receber rosas amarelas e fiquei muito feliz por ter recebido de quem recebi.
Para mim, ganhar flores, tem efeito de recarregar as energias, é lembrar de como é importante estar bem para poder acontecer coisas boas com você.

A beleza das flores, para mim, simbolizam o quão bela a vida é por si só e quanto mais podemos melhora-la se fizermos a nossa parte todos os dias.

Ontem não era nenhuma data especial, quero dizer, não era meu aniversário, não estava me formando na faculdade, não estava  me casando, nenhum evento e isso fez e faz me sentir ainda mais querida, lembrada, reconhecida, amada.

Quero somente agradecer minha mãe norueguesa pelo presente e compartilhar com vocês a beleza e delicadeza destas rosas aqui.

De resto, desejo mesmo é muitas flores para todos nós!